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Da responsabilidade solidária ao desenvolvimento social: um novo conceito para auditoria de fornecedores

Checar a capacidade financeira de seus fornecedores, pequenos ou grandes com a finalidade de evitar o risco de arcar com as contas alheias é vital para a boa imagem de qualquer empresa. Além de serviços mal prestados, é a reputação da contratante que sofre o maior dos golpes.

Mas, hoje, pode-se dizer que o termo auditoria de fornecedores não se limita à apenas minimizar o quanto possível as conseqüências da incômoda responsabilidade solidária ou identificar prestadores de maior qualificação. Empresas mais evoluídas pensam em desenvolver seus fornecedores, trazê-los o mais próximo possível de seus valores e de sua missão. Uma questão que se tornou parte de sua responsabilidade social.

“Eu recomendo até que esse trabalho realizado com os fornecedores seja incluído no balanço social da empresa”, diz Guilherme Machado Júnior, sócio da Baker Tilly Brasil em Vitória e especialista em auditoria interna. “As grandes corporações que têm processos mais consolidados e estão na vanguarda das práticas de recursos humanos, segurança e saúde do trabalho, ações sociais e ambientas, esperam que seus parceiros, independente do tamanho, assumam os mesmo padrões com premissas socialmente responsáveis. É de certa forma, um trabalho de desenvolvimento de empresas menores”, completa.

Há corporações que se dedicam realmente à questão de desenvolvimento social. Algumas delas submetem seu quadro de fornecedores a um processo de avaliação que pode durar meses dependendo do número de empresas envolvidas no processo e do número de disciplinas às quais serão submetidas à avaliação. Começam com workshops e palestras que apresentam assuntos relacionados à filosofia da empresa e à composição dos valores por ela defendidos. Depois, a equipe de auditoria contratada analisa todos os procedimentos (produtivo, administrativo, qualitativo, trabalhista, sócio-ambiental, etc) dos prestadores de serviços.

A Baker Tilly Brasil faz esse trabalho de auditoria em grandes empresas em todos os estados em que atua e tem uma metodologia própria para analisar os resultados de cada etapa do processo, onde essas empresas recebem uma pontuação e são classificadas num ranking. As empresas que conseguirem angariar o maior número de pontos na soma de todos os quesitos analisados tendem a conquistar novos contratos, mais longos e melhores.

Guilherme ressalta a importância dessa iniciativa por parte das grandes empresas. Ele conta que muitas vezes a história é a mesma: um empregado de uma multinacional demite-se do emprego e abre um cadastro de pessoa jurídica para prestar serviços para a mesma empresa na qual trabalhou muitos anos. “Ele tem toda a capacidade técnica para isso, mas, na maioria dos casos, não tem qualquer noção administrativa”, conta Guilherme.

Em outros casos, cidades inteiras podem ser prejudicadas. “Existem cidades cuja economia conta fortemente com as empreiteiras prestadoras de serviços de grandes corporações. Quando essas empreiteiras não cumprem suas obrigações financeiras adquiridas na cidade ou quando perdem contratos por não estarem adequadas aos padrões exigidos pelas multinacionais e, conseqüentemente, são obrigadas a promoverem demissões em massa, todo o comércio e a comunidade podem sair lesados”, diz o auditor.
 
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